terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

"WHERE IS THE LOVE?"



        Hoje aqui na França, como em muitas outras partes do mundo é o dia de São Valentino, o padroeiro dos apaixonados. Só se fala nisso. Como nosso Dia dos Namorados, no Brasil. Corações vermelhos, rosas, chocolate. Um deleite para quem está “em cima”. O dia que precisa passar e rapidamente, para quem está “em baixa”. Como no mercado de ações, só existem as duas posições, não há alternativas.  Para quem tem alguém de quem receber um mimo especial, minhas congratulações. Mas meu interesse maior é tratar de quem não irá receber mensagens carinhosas, ou presentinhos. E de quem nem sequer tem a quem enviá-los. Embora simbólico, não deixa de ser um dia de constatação. E desagradável: “Mais um ano, e nada!”. E onde está o amor? Por onde andará aquele amor que sonhamos, há tempos, aquele que nos fará completos?
       Eis a questão. A resposta é que pode estar por toda parte, logo ali, em breve, onde menos esperamos. Ou como. Ou de quem. E então o mundo consumista exaspera ainda mais nossas carências e expectativas frustradas. Quando queremos algo que possa ser comprado, tratamos logo de nos empenhar no sentido de obter o fruto do desejo. Seja roupa, viagem, carro, imóvel, nossos interesses são direcionados e bem ou mal, vamos conseguir. Isso é certo.

      Mas e o amor?

     Investimos nele. Conhecemos pessoas, sonhamos, fazemos planos e mesmo assim, raramente acontece. Estamos acostumados demais a planejar, organizar, racionalizar coisas, bens, realizações profissionais, tudo que podemos controlar, a tal ponto de nos esquecermos que ele, o amor, é fruto do acaso, de um truque do destino, quem não pode ser encomendado sob medida, no tamanho que me convém. Às vezes, permanece. Às vezes, traiçoeiro, parte da mesma forma misteriosa como surgiu. Mas temos pressa. O tempo urge. Queremos conhece-lo, tocá-lo. A frustração de sua inexistência na vida presente traz uma sensação de desalento, um desmerecimento profundo, entramos na espiral do insucesso afetivo. Afinal, todos merecemos amar e ser amado, certo?
    Lamento não ter aqui a fórmula que possa resolver o problema. Até porque, não acredito em  “segredos”. Acredito em escolhas. Se o amor acontece por si mesmo, a escolha, ao contrário, não é um mero acaso. Podemos até ter perdido oportunidades de viver um amor ao longo do caminho, porque não soubemos reconhece-lo disfarçado de uma pessoa a nosso ver, parecia inadequada, seja por todos os padrões que fixamos em nossos inconscientes, nossos arquétipos, de que a pessoa amada deva ser assim ou “assado”, seja por simplesmente não conseguir retribuir o sentimento, ou mesmo, senti-lo. Nunca saberemos o quanto deixamos passar, mas vale refletir sobre a necessidade de estar-se presente em sua própria vida, para não repetir o erro. Como presente quero dizer hoje, agora, neste momento, nem antes, nem depois. Estar em posição de alerta, vale para tudo na vida. Vivemos melhor se sabemos viver o presente, pois o ego, que nos maltrata e tanto, é o melhor amigo do passado e o maior admirador do futuro. Ou seja, tudo que você não tem, que não pode ver nem tocar, tudo que não nos pertence mais, ou ainda, é que é importante. O ego é a fonte da nossa angústia. Mas a questão é que ele, o danado do ego tem um “Calcanhar de Aquiles”: O presente! O ego se afasta sempre que nos posicionamos em conexão completa e plena com nossa vida, como ela é AGORA!
    A reflexão do momento é, pois, de esquecer as trapaças do nosso poderoso e dominador ego, que insiste em nos lembrar de quantos amores já perdemos ou quantos poderão vir, do jeito que imaginamos.  Hora de parar de fazer tanto balanço da vida, senão arriscamos cair de vez! Lembrar, pois, que o amor que queremos não é um objeto de consumo e portanto, não podemos consentir em trata-lo como uma commodity, como se fora um ativo na bolsa, no mercado.  O amor é sim, o nosso grande investimento, a grande festa da alma, em nome de quem, mudamos os rumos da vida, por quem nos sacrificamos e ao lado de quem queremos estar. 
   Devemos estar prontos para acolhê-lo, no presente, sem ânsia, numa espera consentida e enriquecedora. Nada do tipo "baste-se a si mesmo" ou "seja feliz sozinha" ou algo do gênero. Na hora do amor, queremos mesmo o outro, é ele que nos completa e que nos basta. Olhar para o futuro e sonhar com ele é um direito que nos assiste e uma obrigação até, para quem o busca. 
   Então olhos e todos os sentidos bem abertos e em alerta e quando sentir que seu mundo "balançou" , escolha ser feliz, os outros não importam. Pois a vida é agora e o tempo, como disse Gibran “não se demora no antes.” 
    
                    

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

O LIXO NA TV - “NEM SÓ DE PÃO VIVE O HOMEM” E NÃO FUI EU QUEM DISSE ISTO!

       Há uma semana venho ‘ruminando’ umas ideias sobre as quais escrevo agora. A partir de um vídeo que me enviaram contendo uma entrevista do artista plástico Antônio Veronese*, radicado na França, onde ele fala sobre a falta de conteúdo na televisão brasileira. Concordei com quase tudo, menos com a declaração de que o “Dr. Roberto Marinho virou no túmulo”, a propósito do Jornal “O Globo” publicar no Caderno Cultura, o fato de as duas meninas do BBB terem (será?) se masturbado ao vivo. Começo pela discordância para chegar à corroboração com o desabafo do artista. Vamos admitir: Dr. Roberto deixou seu legado. Criou a maior rede nacional de televisão, mas, junto com ela, a verdadeira vocação de seu projeto ou diria, a não vocação, a de fazer da TV uma potente arma de educação para seu público e praticamente definindo o modelo vigente de entretenimento televisivo adotado pelas outras redes. 
      A Rede Globo tem uma força descomunal e domina e define os comportamentos da maioria da população. Numa parte do tempo, ela mostra seus programas - Na outra, ela os comenta e induz o público à audiência... dos programas! Direta e indiretamente, não há como escapar deles. O crescimento da rede coincide com o do período militar. Tudo dentro dos conformes. Big Brother Brasil é, pois, só mais um dreno por onde milhões de reais “escorrem” todos os dias para os cofres da empresa. BBB vende e pronto. Muita gente compra, assiste, comenta, participa, valoriza, sofre, grava os pensamentos e reflexões para si, todos os participantes têm, pois,  muito mais do que os “quinze minutos de fama” (Andy Warhol calculou mal a que nível as coisas poderiam chegar!). Mas é a realidade. Seria maldade colocar o BBB em sinal fechado. A população menos favorecida ficaria privada da diversão e o programa não venderia tanto. É entretenimento para quem gosta (os índices o provam). Um grande lixo, mas tem quem goste.
        Quanto à concordância com o Veronese, “TV é concessão de Estado”! Isso é sempre bom lembrar, pois muitos acham que qualquer ingerência institucional sobre o conteúdo a ser mostrado pelos programas nas Tevês de sinal aberto, poderia sugerir algum tipo de censura, o que é proibido pela Constituição Federal e legado da nova democracia brasileira. Mas outros países mostram que sem Governança, o autogoverno, com metas educacionais, não se fará uma TV de qualidade, onde se tenha de tudo um pouco, além apenas de distrair o público. No Brasil é o contrário – possuidores de um ensino público de péssima qualidade - ainda concedemos canais a quem não se propõe a educar. Ah, tem o “Globo Ciência”, o “Globo Ecologia”, “O Globo Rural”, mas em que horário? Até onde lembro, domingo, a partir das seis da manhã (quando todos os trabalhadores -ou a maioria - dormem no seu único dia de descanso). Ou seja, que tem programa educativo, tem, mas não em horário nobre. O anunciante quer audiência e essa é definida mais pelos hábitos da população (hora do café, almoço, jantar). Praticamente tudo que for colocado na programação, nos momentos de reunião das famílias em torno da mesa e nos horários de lazer, será definitivamente absorvido, consumido pela audiência. A qualidade do conteúdo, não é definida pelo público, no que também concordo com a entrevista que ora comento. É o contrário – as concessionárias, têm pois, a Responsabilidade Social (sim, com maiúsculas) de fazer de sua concessão estatal, algo que contribua para o entretenimento e educação. Informar não é apenas reproduzir os fatos ocorridos. Informar é criar também, senso crítico, desenvolver a capacidade de se posicionar, de ter acesso ao c-o-n-h-e-c-i-m-e-n-t-o!
     Hoje sou anti-novela, nunca assisti BBB, detesto o Bial, odeio o Faustão, não suporto o Gugu, desligo na Ana Maria Braga. Isso foi uma escolha minha, pessoal, nada contra quem gosta. Por ter acesso a canais estrangeiros, em inglês e francês, consegui comparar a mesma notícia, veiculada por três países diferentes. As que o Brasil mostrava, eram “pasteurizações” daquela mostrada nos outros países, muito mais precisas. Tudo é muito manipulado, desde números a fatos. Tudo é mostrado em tom de “Repórter Zero”, com solenidade do estilo "estamos em guerra", para que o país fique sempre muito, muito preocupado. Com tudo. As chamadas prévias deixam o coração do brasileiro sobressaltado e, portanto, fica tudo comprovado com a notícia de abertura: “Homem é morto a sangue frio por ladrões em posto de gasolina"! Uau! Será que merecemos mesmo tanta manipulação? Trabalhar o dia inteiro feito louco, enfrentar trânsito, stress, cansaço, para terminarmos o nosso dia sentindo medo? Eu não sei se alguém já experimentou se “alienar” um pouco, mas no dia em que decidi não mais assistir a essa baboseira, minha vida deu um salto de qualidade enorme. Qualidade de vida. Vi que o mundo não estava acabando, que nem toda doença é incurável, que notícia se fabrica, se cria se inventa qualquer pessoa do ‘metier’ sabe disso, e olha que nem é o meu. Eu, porém, tinha opção, uma TV a cabo. Mas e os outros, que consumem tudo como pizza "goela abaixo"?
      Carlos Nascimento, o repórter, diz sobre o caso "Luíza", que "já fomos mais inteligentes»... concordo, em termos, apesar da contradição - Mas e será mesmo que já fomos? E se o fomos um dia, quando foi isso? E foi a TV Globo quem disse isso? Voilà a contradição. Ora, a TV brasileira talvez seja das mais "emburrecedoras" do mundo. Deve perder para a americana, que apesar de ter boas séries, tem muito “besteirol” (A NHK do Japão deve ter uns 10 programas de Karaokê por dia - coisa grande por lá!). A net, porém,  é diferente. Nem é concessão e nela não se filtra nada e por sua vez, pega tudo e infla, na velocidade do som ou pior... se for bom, vai, se não for, vai assim mesmo! E lá se foi "Luíza", sem que soubéssemos por quê. Mas ficamos assim, vivendo da "última" que "rolou" na novela, no BBB, na Internet. Pedra sobre pedra, vamos construindo nossa realidade, que é só essa aí, mesmo. Nossa ausência de valores outros do que a propaganda do Mastercard, o fato de acharmos que tudo deve ter um preço a ser pago, com dinheiro mesmo e até quando não tem, a gente registra - Um céu azul, "não tem preço"! É nisso que dá, viver só "do pão e para o pão". Afinal, não passamos o dia atrás dele? Quer mais mediocridade do que isso?  O mundo vai, pois, virar, apenas uma grande "padaria"! 
   A seu momento, a TV sem governança, sem autorreflexão sobre a importância de sua missão, sem diretrizes institucionais, sem compromisso com seu papel, vai continuar a vender "o pão de cada dia" consumido pelo brasileiro, empobrecendo a mente de um povo que tem potencial para acompanhar a China e a Índia, na arrancada para o futuro das maiores nações do planeta com a vantagem de sermos melhores, mais unidos, mais justos, apesar de tudo, do que as outras duas. Mas acho que não basta, para isso, que apenas fiquemos ricos. Temos que ser mais apenas do que o “pão” pois não queremos nem só ele, nem o “circo” do entretenimento. Temos que consumir cultura e varrer o lixo da TV é também Responsabilidade Social e Ambiental, de quem Concede e de quem é Concedido. Assim mesmo, com maiúsculas.

Reciclagem já!


* Link da entrevista de Antônio Veronese: http://youtu.be/lzefF9i_Ucw
Obs. Quanto à grafia de algumas palavras, registro que ainda não domino as mudanças do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa!

sábado, 7 de janeiro de 2012

O ANO NOVO E SUAS MUDANÇAS (OU NÃO!)


O ano virou e intimamente sonhamos que ele nos traga algo que mude nossas vidas. Raramente, queremos que as coisas permaneçam como estão. Nem que seja um pequeno “ajuste”. Tudo bem. Mudar é preciso e viver é preciso – e é preciso mudar para continuar a crescer. Há uma impermanência no Universo a qual devemos saber acompanhar. O começo de um novo ano gera a reflexão sobre o que queremos: emagrecer, deixar de fumar, voltar a estudar, casar, descasar, fazer as pazes com alguém, mudar de casa, vender a casa, trocar de emprego, etc. Um ano é um ciclo que começa com o final do seu antecessor: “The king is dead. Long live the king” ou “Rei morto, Rei posto”. Uma forma comum de marca o começo do novo ciclo e registrar os desejos é a  elaboração de listas "a fazer". Segundo a Psicologia, elas têm um efeito poderoso sobre nossa psique - uma vez tomadas tais decisões, estabelecemos um compromisso interno com a elaboração das condições para que se realizem. Não é brincadeira. Decidir é algo sério, importante para o nosso mundo interior. Se ao longo do ano, conseguirmos realizar o que propusemos a nós mesmos, sentiremos os efeitos - positivos - da que mudança. Caso negativo, um registro, um marco interior do insucesso da tentativa, o que não é de todo ruim, apenas que fica ali registrado, como uma tentativa frustrada. Mas há aqueles que sequer pensam numa mudança, para fugir do risco de lidar com uma derrota. Ao contrário do que dizem, acho que até quem diz “só quero mesmo é saúde e paz no Ano Novo”, no fundo, faz uma listinha “basiquinha” de pequenos, mas significativos desejos que espera obter no novo ano. Mas e aí, como é que se muda algo em nossas vidas? O que é preciso? Difícil decidir. Atividade que requer autoconhecimento. Para quem já alcançou, em parte, esta etapa, é preciso dar o próximo passo e enfrentar um adversário forte e inimigo das mudanças: o medo. Sim, o medo, que nos faz tremer os ossos e com desistamos da parte difícil das coisas boas que queremos. Então é assim: queremos mudar as coisas, realizar, crescer, melhorar, mas com a certeza de que tudo vai da certo, com um mínimo de investimento, com o máximo de otimismo. Calculamos tudo, ou quase – Mas, dentre as variáveis, há o mistério e o poder do “X”, aquela, cujo valor, pode mudar toda a equação. Trabalhar com uma ou mais variáveis desconhecidas, é, pois, motivo de dúvidas e angústias. Neste momento, a maioria desiste, pois não pode correr o risco de um resultado negativo. É preciso coragem para enfrentar o risco do fracasso, pois o medo imobiliza. “Mas e se deixamos tudo como está?” ou, “Quem sabe o tempo...” ou a suprema passividade, “Deus dará um jeito”. Isto vale para todas as situações. Teresina está novamente e literalmente “em chamas”! Ônibus depredados, violência policial, estudantes (ou não) agredidos, como resultado das ações de integração das linhas de ônibus. Certo ou errado, algo precisava ser feito. Mas só queremos mudar, se tudo sair como esperamos. O melhor para a Prefeitura, é que todo mundo aceite pacificamente, as mudanças. Para os estudantes, o ideal seria não pagar o transporte público, pois são mesmo, muito pobres. Para os empresários, a mudança ideal seria alguém pagar a conta e eles não sofrerem nenhuma alteração no status quo. Para quem tem quem tem automóvel, ônibus atrapalha e complica o trânsito caótico da Cidade. Mudança, por pior que seja, ensina, transforma. Não mudar é que constitui o verdadeiro fracasso. Nas campanhas eleitorais, os slogans, discursos, falam de mudança. No final, ninguém tem coragem de assumir o risco histórico de um fracasso, nem que votou, nem quem foi votado. O Prefeito de Teresina sabe que é preciso mudar, aliás, todos sabem disto. Mas como mudar sem alterar a vida de todos os envolvidos? Enquanto isso, aqui na França, o Governo quer introduzir a “TVA Social” antes das eleições de 2012. O que é isso? Um processo que lembra o da introdução da “CPMF” no Brasil, criada para um fim, cuja destinação, na prática, foi outra. A TVA (Taxe sur la valeur ajoutée) é um misto de ICMS com ISS, um imposto incidente sobre o consumo de bens e serviços, com alíquotas variáveis conforme a espécie, introduzido na França nos anos de 1950 e na União Europeia a partir de 1993, cabendo a cada país membro, uma margem de manobra em relação às suas alíquotas. Segundo os críticos, a TVA Social vai penalizar os consumidores de renda mais baixa, provocando, portanto, injustiça fiscal. Segundo seus defensores, a carga fiscal sobre a folha de salários será reduzida, para favorecer a contratação e diminuir o desemprego. No geral, ou a França muda, faz algo ou quebra. Ou arrecada mais, ou junta se à lista dos demais, Portugal, Grécia, Irlanda. Ninguém quer pagar a conta, mas é impossível ficar como está. Teresina precisa mudar e devemos mudar com ela. O Brasil sabe que as mudanças precisam chegar, o mundo inteiro e tudo o mais precisa mudar, morrer para nascer. Assim é a vida. Ou mudamos ou seremos mudados. Estou lendo o excelente “Saga Brasileira", da jornalista Miriam Leitão. Nele, o relato da trajetória das mudanças econômicas do Brasil dos últimos 25 anos. A lição é que há um preço a pagar, erros, acertos. Mas ou fazemos a escolha ou a escolha nos transformará em algo que não queremos. Neste começo de 2012, desejo a todos, portanto, MUDANÇA, se possível, baseada no seguinte:
1.      CORAGEM, o elemento essencial das mudanças:
2.  CAPACIDADE DE ASSUMIR AS ESCOLHAS, a atitude responsável de quem é senhor do seu destino;
3.      , nos sonhos, nas ideias, nos desejos;
4.      CERTEZA, de que tudo começa agora, nem antes, nem depois.
Para aqueles que querem realmente uma mudança em 2012, desejo-lhes as melhores e que lhes tragam felicidade – se não, lembrem-se de que Aprendiz de Feiticeiro é assim mesmo: erra muito, mas um dia, torna-se Mago! 
Para quem acha que tudo está o seu lugar, o conselho fica para que aproveite o bom momento, mas atenção para perceber a hora de fazer os devidos "acertos".


Mãos à obra! Todos!

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Enquanto isso, na Alemanha...o Natal foi branco!


Para evitar acabar sozinha no meio da praça, olhando uma estrela no céu (caso estivesse nublado, nem isso conseguiria ver), falando com estranhos (perigoso, depois de certa hora da noite) aceitei o convite de uma grande amiga que não via há tempos para passar o Natal com sua família e parti de Paris de trem, a bordo do Thalys para Colônia, Alemanha, onde ela me buscou. No caminho, o trem fez parada na Bélgica - Bruxelas, Liège (sim, onde houve a matança em plena praça do mercado, recentemente) e Aix-la-Chapelle, chamada de Aachen pelos alemães. Quanto mais me aproximava do meu destino, pensei que em apenas três horas, cruzei pelo menos dois países, chegando a um terceiro, o que no Brasil, dá mal a distância de uma ou duas cidades, num só Estado. Pensei ainda em como o exército alemão se deslocou Europa afora, invadindo países vizinhos...Bem, isso é pensamento demais para uma viagem só e uma reflexão tão profunda, vai ter que ficar para um outro momento. "Armada até os dentes" para enfrentar o frio glacial que se avizinhava, desembarquei estupefata ao encontrar um país tão rico e bonito, tão limpo, e ordeiro. Em uma semana, engordei, mesmo, uns dois quilos, por me recusar a recusar qualquer coisa gostosa e diferente da culinária local que me passou pela frente, incluindo as suas deliciosas cervejas, märzen, starkbier, bockbier e doppelbock e vinho quente, Glühwein, temperado com ervas e especiarias. Sim, tá ali um lugar onde o porco é rei, o que deve ser um sofrimento (ou foi, literalmente), para Judeus e Muçulmanos e outras linhas que recusam comer “focinho baixo”. Eu, como sou uma mistura, evoluída (?) de Judeus Novos (Pereira) e dos Mouros (Mourão), já superei os malefícios da ingestão daquela carne rosada e saborosa. Do porco, come-se tudo e de todas as maneiras. Einsbein, joelho de porco defumado, acompanhado de kartoffel (batatas) e Sauerkrout (repolho azedo), uma delícia! São 1.500 tipos de salsichas diferentes, mas confesso que não provei mais que dois ou três, acompanhadas de mostarda, afinal, não sou de ferro. Ao lado, posto fotos do que vi e provei. Do cenário nevado, pequenos flagrantes de um momento especial. Pela proximidade do lar de Santa Klaus, mais ao Norte, encontrei tradições natalinas ainda mais fortes do que na França, tal como o esmero na decoração das casas, dentro e fora, nas ruas. Eles vivem de fato o Advento, período que antecede ao Natal. Menos comércio e mais bandas de música tocando canções natalinas. Fui até a um concerto de Natal de uma escola da cidade e uma missa na Igreja Luterana, cantada por um coral da comunidade – cantei facilmente em alemão, com a ajuda de um telão à esquerda do altar, onde a letra da canção era mostrada – boa sugestão para as Igrejas Católicas que adotam, a cada semana, novas canções, que ninguém, à exceção dos habitués, consegue cantar, de autoria de algum Padre-Cantor-Megastar (no meu tempo, ‘deglutimos’ o Padre Zézinho, que inovou no gênero). Descobri que na Região, muitas famílias, ao contrário do que sempre fiz, copiando meus modelos, deixam para armar suas árvores na véspera do Natal, num ritual que envolve pais e filhos, à noite, tudo regado às bebidas e comidas da estação. A casa fica pronta antes, as portas decoradas com as guirlandas (símbolo ligado ao Advento), mas a árvore espera (Oh Tannenbaum)- acho que tem lógica, pois as deles, são vivas, cortadas especialmente para o evento. Além disso, a ideia é seja uma antecipação, de verdade. Eles as decoram com bolas que têm significação especial - compradas, uma a uma, em momentos diferentes, viagens, de locais sugestivos, relíquias guardadas de herança das famílias. Elas contêm enfeites relacionados aos símbolos culturais locais ou nacionais, como bolinhos (Plätzchen), que devem ser comidos no dia 06 de Janeiro, o dia da Festa de Reis. Neste dia, como me foi relatado, as crianças saem pelas casas da vizinhança, para ganhar suas guloseimas. Esta tradição foi, por motivos que desconheço (se alguém puder contribuir que o faça), copiada pelo chatíssimo Halloween americano, em pleno 30 de Outubro. Há certamente, na estética belíssima das árvores decoradas, algo mais, que apenas serem belas. Sei que de onde venho, decoradores são chamados para decorar as árvores de algumas residências mais afortunadas – as demais, apenas distribuem bolas e enfeites made in China sem nenhuma outra intenção especial. Nada contra. Mas entendi que a simbologia é outra. É a tal estória de copiar a tradição, sem compreender seu sentido, que é fazer com que a árvore simbolize a história da família. P.S. Antes de ir à Alemanha, eu já pendurava nas minhas árvores, enfeites feitos por minhas filhas, quando crianças, trecos velhos, baratos, comprados nesse ou naquele mercado, num determinado momento. O resultado sempre nos agradou, mas certamente, seria condenado de cara por um decorador profissional. Intuição. De volta à Kierspe, descobri que ali, não tem pisca-pisca! Luzinhas pequenas, brancas, raramente vermelhas, mas não piscam! Gostaria de saber quem foi mesmo que teve a ideia de introduzir no mercado, para que consumíssemos loucamente, as tais luzinhas que devem tirar o sono dos neurocientistas (e o nosso), que alegam que o cérebro sofre com o ritmo acelerado da luz (e som). Hora de rever se o excesso em algumas casas não leva a enxaquecas ou até derrames, quem sabe? Acho que talvez a ideia fosse recriar o ambiente onde a neblina espessa faz com as luzinhas “pisquem”...pura conjectura minha, mas, c’est pas idiot., como dizem os franceses. Percebi que a Alemanha é, de fato, uma grande potência e por isso, está conseguindo sobreviver ao caos geral em que se encontra a Europa. Mas isso não veio por acaso. Com a reunificação das duas Alemanhas, na década de 1990, a Bundersrepublik recorreu a empréstimos internacionais altíssimos, enfrentou anos sombrios, mas segundo o projeto da era Köhl (Helmut), manteve sua produção no país, na contramão da Europa em geral, que praticou a délocalisation, a transferência da produção aos países onde a mão de obra era mais barata (e a que custo!), como China, Índia e países do Leste europeu. O resultado é que hoje, a indústria alemã é pungente e altamente especializada, produz para o país e exporta o excedente, exatamente como na Teoria de Ricardo, a das vantagens competitivas. Naturalmente e por ter investido na sobrevivência da indústria nacional e na qualificação da sua mão de obra, operário tem emprego, renda alta, oportunidade, mobilidade e sabe trabalhar, porque foi treinado para isso. Tudo lá é mais barato do que na França, desde roupas, à comida, cerveja, tudo.  Limpíssima, ruas, estradas. Todo mundo tem carro e que carros - Mercedes-Benz (Daimler), BMW’s, Audi’s, Volkswagen’s - este ano a produção foi recorde, segundo a Deutsche Welle – www.dw-world.de, que voam pelas estradas, sem, no entanto, a conotação dada a eles em outros centros – lá são a qualidade e confiabilidade que falam mais alto. Vi poucas motocicletas, no máximo e raramente, motonetas (Motocicleta em excesso é, pois, sinal de subdesenvolvimento, como acontece em Teresina!). Segundo verificado, os custos das taxas de licenciamento e seguros de veículos de duas rodas os tornam quase proibitivos (ideia a ser copiada?). Além disso, o Governo não suporta ter que tratar dos acidentados, que quase sempre, ficam seqüelados e caem no sistema de seguridade social (observe-se o que ocorre numa noite de sábado, no HUT). Enfim, viajar tem um algo mais a ser apreendido, que simplesmente irmos de um lugar para o outro e tirarmos fotografias. Sugiro aos nossos políticos, Municipais, Estaduais e Federais, que ao viajar para o Exterior, em viagens oficiais, aproveitem o ensejo para aprender, apenas observando e buscando as explicações para o que vêm e não para se refastelar na gastança com canetas Mont Blanc, camisas Lacoste e Scotch escocês, enquanto suas mulheres adquirem os últimos modelos de óculos Dior e mais umas bolsinhas Louis Vuitton. Nada contra, desde que fizessem algo mais pelo povo que paga pelas tais viagens (Quem sabe, valia olhar mesmo quando viajam de férias?). Merecemos ser administrados por quem consegue enxergar longe, buscar num simples olhar sobre uma cidade bem traçada, soluções de desenhos de trânsito, de recolhimento de lixo, planejamentos de calçadas, acessibilidade, por exemplo. O que dá para perceber numa viagem a um país realmente desenvolvido, é que nem tudo é dinheiro. Ao contrário – nossas obras públicas estão dentre as mais caras do mundo, acho que só Dubai supera. O que se vê de sobra, é sobriedade, responsabilidade, compromisso com o bem estar dos cidadãos. Aos meus amigos anfitriões perfeitos, Pixuta e Herbi Wolf, obrigada pelo Fröhe Weihnachten, meu, afinal, lindo Natal. À Alemanha, parabéns por sua competência. Apesar do que já viveu ao longo de sua sofrida história há pouco mais de sessenta anos, dá gosto ver como se superaram. E aí, vamos viajar? Sugiro a Alemanha na próxima parada. Auf wiedersehen!    

sábado, 17 de dezembro de 2011

O Natal e suas mazelas...


Ai meu Deus, chegou de novo! Natal, agora é ‘prá’ valer, todo mundo tem que se alegrar. Pois é, uma festa controversa, que traz alegria e melancolia, o que faz parte da sua essência e a gente acaba tendo que seguir o “fluxo”. Uns muito, outros menos, uns compram mais, outros menos e vitrine é para olhar. E então, as “festas obrigações”: confraternizações, amigos ocultos, comida, muita comida. Por mais comercial que seja tudo isto, há nele um sentido sobre o qual vou refletir. Para mim, este é o “Natal do Exílio”, pois estarei longe de tudo e de todos, nesta temporada em Paris, mas me conforta saber que não estou só nessa - muitos, como eu, estão longe dos seus. Porém, como sempre temos sempre a escolha de encarar de outro jeito a parte difícil, a distância de casa, dos filhos, da família, dos amigos, vou vivê-lo à minha maneira, “de fora”, observando, ao invés de participar (que não deixa de ser uma forma passiva de participação)! Para descobrir o tal “sentido”, saio às ruas de Paris, onde, no mínimo, irei captar algo para transmitir. Faz um frio úmido de 5°C, pego minha pequena câmera, debaixo de um solzinho que dá às ruas uma luminosidade intensa (Paris tem um tom bege claro que reflete qualquer luz). A ideia e evitar os passeios óbvios, tipo Champs Elysées os Grands Magazins (grandes lojas de departamentos) e outros lugares abarrotados de turistas, onde o ambiente é artificial e essencialmente de compras, não tem a cara da cidade, pois não traduz o clima da gente comum. Vejo então como os Parisienses vão viver este Natal de crise, da Crise do Euro, do risco da perda do (triplo) “AAA” das Agências de Notações, tipo Standard & Poor’s de Londres, que assusta a França tanto quanto a inflação tirou nosso sono há alguns anos. Todos de preto – é um must em Paris, no inverno. Como são fechados e circunspectos, é mais na animação das crianças nas ruas decoradas, que percebo o “espírito natalino”. Produtos, em abundância. Só deleite e quanto deleite! Se prá eles, Natal for isto, então vou engordar cinco quilos olhando tudo! Mas, as lojas estão preocupadas, as vendedoras quase à porta tentando atrair a minoria que se arrisca comprar, num momento em que não se sabe o que será da economia nacional, em 2012, anos de eleição presidencial (Sarkozy vai tentar se reeleger, num clima de agonia da moeda que tanto lutou para salvar, o euro). De volta à estação - a mesa do Natal dos Franceses é assim: “magra” (Aliás, eles são!): come-se “carne magra”, sem gorduras, por isso optam pelo tradicional Peru mesmo (uma festa Cristã, com toda sua simbologia). A tradição manda que cubram a mesa da refeição com três toalhas brancas sobrepostas, decoradas com três velas e três tipos de pães (dentre eles, o “pain d’épices”, pão temperado com especiarias). A simbologia do “3” é ligada à da Santíssima Trindade (A França hoje é um país laico, mas foi construído em torno do Catolicismo). Ah, deve-se colocar um prato e talher a mais do que o número de participantes da Ceia (homenagem aos mortos da família e aos que não têm o que comer) e incluir lentilhas no cardápio. Para sobremesa, treze (sim, 13!) tipos diferentes de doces, para quem segue à risca, a tradição. A torta mais importante é a “Bûche” (rocambole de chocolate, que se assemelha a uma “tora de madeira”, que dá nome à torta). Os vinhos também são três: um velho, um claro e um “cuit”, vinho artesanal, contendo o sumo das uvas e especiarias (similar ao do “Porto”). E tem os “Marchés de Noël”, que são atração à parte, todo bairro tem o seu, armados nas ruas ou praças, onde se vende de tudo e mais interessante na parte da comida, como decoram os pequenos stands. É o comércio dos pequenos, que não podem concorrer com os grandes, estabelecidos estrategicamente. Até na “Champs” tem, lindo por sinal – e caro! Prefiro os mais simples, sentir o clima festivo, os comerciantes gritando, para atrair os fregueses, as barracas de nozes e amêndoas caramelizadas na hora, algodão doce (o vero), uma mistura de aromas deliciosa, em contrate com a chuva fina e intermitente, que baixa em meio grau, a temperatura. Em cada quarteirão, vendas improvisadas dos “Sapins”, os pinheiros colhidos, as árvores de Natal que usam aqui. As artificiais, normalmente montadas nas lojas, são invariavelmente brancas e baixas. Nada muito complicado. As “Creches”, ou Presépios decoram a entrada das igrejas católicas. A estação é das “huitres” (ostras), da Região Poitou-Charentes. As “Salées” (salgadas) ou mais doces, reguladas por números (2, grandes, 3, menores, etc), que definem o tamanho (e os preços!), simplesmente degustadas com “citron” (limão siciliano) e um bom “coup de champagne”...! Silêncio. Falta o “Foie-Gras” (fígado de ganso engordado – nem vou falar como! Mas que é bom isso é), que tem seu lugar especial. Enfim, uma bela mesa, costumes, tradições. É assim em todo lugar, cada um à sua maneira. O que importa, é que apesar das mazelas que vêm junto com a estação, a gente não esqueça seu significado, o da troca, simbolizada nos presentes, o do amor, transmitido nos gestos, o da união, nos encontros, muitos, que são realizados. E assim, o “da Crise”, deles franceses e o do “Exílio”, meu, se encontram no meio de uma praça, de uma cidade, num instante da vida de alguém e descubro que no Natal, celebramos a fuga da nossa aldeia particular, que nos encarcera o ano inteiro e nos voltamos para fora, para fazer parte de algo maior! As famílias, as empresas, os grupos de amigos – lá entregamos a “parte” e viramos o “todo”, o todo mundo, o nós, os “nós” da garganta e do peito, desatados, entregues, em confiança. Neste instante, olho a estrela que brilha no céu e sei que mesmo longe, estou perto do todo ao qual pertenço e por isso, o percebo em toda a sua beleza, interior e exterior. Saio do meu casulo e o celebro com os anônimos que passam por mim, apressados, procurando sua “turma”.  
Um bom Natal para vocês também!

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Preconceito e incompetência

Para tudo! 


Como primeiro ‘Post’ do meu Blog, eu ia falar de Paris, suas belezas, meu ponto de vista sobre a cidade, e tudo o mais. Mas mudei de ideia - vou tratar de Preconceito e Nacionalismo! Tudo por conta de uma garota preconceituosa e exibicionista que falou mal do Piauí na web. Estamos todos ofendidos. Mas, temo que recomece aquela campanha de alguns meses atrás quando um ator falou mal de Teresina – quase saí do Facebook, de tanto ler mensagens do tipo “Eu amo minha Teresina!”, “Não troco jamais!” dentre outras. Me cansei, com o perdão da gramatica, porque detesto ter que reafirmar meu orgulho telúrico, quando somos atacados por sentimentos de preconceito de outros. Se vitimizar é pior e dizer que “amamos nosso quinhão”, é pleonasmo. É claro que amamos, ninguém duvida disso. Eu não preciso repetir para me defender de um ataque. Não é de amor que falamos – ao contrário – é de desamor! É triste, porque achamos que O Brasil é uma Nação. Será mesmo que somos? E nós? E o Piauí, faz parte dela? Esta é a minha reflexão. Aqui na Europa, em plena crise da Zona Euro, a liderança Franco-Alemã, Merkel-Sarkozy, está gerando em alguns, um sentimento de retorno às velhas cicatrizes deixadas pelas grandes guerras, notadamente a Segunda (1939 – 1944/45). E todos nós sabemos até onde o sentimento de nacionalismo, levou muitas nações europeias e a que consequências. Voltando à idiota da vez, o que nos cabe refletir é como resolver isso. Sabemos que preconceito de cor, credo, escolha política, dentre outros são proibidos. “Xenofobia” até caberia, se quem praticou o ato fosse “estrangeiro”. Mas foi uma brasileira, e aí? Vê-se logo, que a solução não está na Lei. E nem em discursos “engraçadinhos” de políticos no Congresso, que conhecemos bem, enaltecendo o “P-I-A-U-Í”, que de tão caricatas, só contribuíram para aumentar o sentimento de alteridade mútua, nós e o resto do Brasil, “Eles” e “Nós”. Quanto mais mexermos a colher, mais o caldo “desonera”. Na verdade, nossos números é que são o “nosso pior inimigo”. Nossos índices – aqueles indicadores que mostram desenvolvimento e que espelham nossa realidade, mostram isso – somos o parente distante, ainda, de um país industrializado, rico. Somos o filho bastardo de uma nação próspera. Querem estigma maior do que Guaribas? Quem se lembra da primeira viagem do Lula como Presidente, para “trazer desenvolvimento” à pior cidade do Brasil? Querem um indicador pior do que esse? E o pior mesmo, é que recebemos (a classe política da época) com “orgulho” as “pseudo ajudas” do Governo Federal, para Guaribas, como símbolo de atraso, mas não conseguirmos colocar realmente nosso Estado no “Mapa” desse “Novo Brasil”. Esta é a visão que exportamos para o resto do país, porque de fato, ainda somos os “lanterninhas”, em ações eficazes. Quem viaja pelo interior de qualquer Estado do Nordeste, pode dar de cara com muitas pequenas comunidades, bairros, que vivem, hoje, em iguais condições que Guaribas vivia há dez anos. Há um algo mais que sobra no Ceará, e até no Maranhão (Senhor, Deus!), por exemplo, nossos vizinhos “ricos” e, portanto, fora das galhofas gerais – atitude política – é na atitude política, que se constrói – nada mais adianta. Continuamos sem conseguir atrair investimentos de peso, que gerem valor agregado de produção, emprego, emprego, qualificação de mão de obra, riqueza e consequentemente, mudança nos indicadores. Todas as nossas políticas de desenvolvimento são erradas, tudo é ambíguo, mal planejado. Pensemos nisso quando chegar a hora de elegermos nossa bancada federal, sobre quem queremos que nos represente nas mesas de “repartição de riquezas”. No dia em que nossa classe política decidir que seremos ricos e que precisamos pensar no bem de todos, e não no que cada um “vai levar para si e para os seus”, passaremos a ganhar o respeito dos “outros brasileiros”, nossos “parentes bem-de-vida-da cidade”. Precisamos querer quem nos defenda, quem lute, quem brigue por nós. Nunca um Ministério comandado por um piauiense, trouxe, realmente, investimentos sérios, repito, sérios, para o Piauí, nem Reis Velloso, em pleno “Milagre brasileiro”, nem nenhum depois dele. Nossos políticos sofrem de “amnésia” quando chegam ao poder em Brasília, são uns deslumbrados, que só não chamaria de ingênuos, porque isso é não são – o acréscimo vertiginoso dos “sinais aparentes de riqueza” provam isto. São eles, sim, os principais “xenófobos”, os que ganham com o atraso que proporcionam ao Estado. E a culpa, reconheçamos, é nossa, que os escolhemos. Vamos desfocar da garota e dos outros que a seguirão e decidir que se não podemos, ainda, mudar a maneira como o Brasil nos vê, comecemos a mudar a quem entregamos nossas “procurações”, que suas conotações “em causa própria”, deixem de ser em favor deles, os nossos mandatários. Um dia, quem sabe, ricos e desenvolvidos, finalmente seremos admitidos na “Federação” brasileira. Até lá, “aguenta coração”.